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domingo, 22 de dezembro de 2013

Meu, minha, meus, minhas





Minha pele inibe e estimula
Meu olhar incomoda e encanta
Minha voz inspira e assusta
Meu abraço acalenta e despede

Meus anseios divergem e reúnem
Meus medos arrepiam e fazem rir
Meus sonhos confundem e brilham
Meu toque seduz e afugenta

Meu cheiro inspira e perece
Minha boca alivia e intensifica
Meus dentes fincam e arrancam
Meu eu repele e aproxima

Minha alma é vice e versa
Meu, minha, meus, minhas
Teu, tua, teus, tuas?
Ainda não sei.

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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O que te faz interessante...






O que te faz interessante
Não é teu corpo cuidado, nem chaves de carro,
Nem roupa perfeita, muito menos cabelo alinhado.

O que te faz interessante
Não é a poesia decorada, a citação rebuscada,
A risada ensaiada, ou mesmo a música programada.

O que te faz interessante
É a displicência e ser tão simples, é o acordar e te ver me admirando,
É aquele imprevisto que deu certo, é aquele abraço sincero.

O que te faz interessante
É a tua forma de olhar, o teu jeito de me tocar,
O teu cheiro ao chegar e o teu sorriso a iluminar.

O que te faz interessante
É você ser interessante, nem com mais, nem com menos,
Apenas com o suficiente, mas mesmo assim surpreendendo.



quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

2011




"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial! Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão... Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos; Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante, vai ser diferente".


Carlos Drummond de Andrade

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Feliz 2011 !



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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Abre Aspas




Quero ignorado, e calmo
 
Por ignorado, e próprio
 
Por calmo, encher meus dias
 
De não querer mais deles.
 
Aos que a riqueza toca
 
O ouro irrita a pele.
 
Aos que a fama bafeja
 
Embacia-se a vida.
 
Aos que a felicidade
 
É sol, virá a noite.
 
Mas ao que nada espera
 
Tudo que vem é grato.


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Fernando Pessoa
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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Ainda...




Ainda não estou perto do gostaria de ser, 
mas estou bem longe de ser o que nunca quis.


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segunda-feira, 28 de junho de 2010

Viver não dói







“Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade. Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar. Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!! A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável.  O sofrimento é opcional.” 


Carlos Drummond de Andrade

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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Deixa...





Deixa ser
Deixa estar
Não quero ver, nem pensar

Tudo escuro, tudo incerto
Medos, sonhos... onde estão?
Fim do túnel? Fim da linha?

Por quê? Pra quê?
O sonho se desfaz...
Aqueles trapos ainda estão jogados no canto
Daquele sorriso só ficou a memória.

Tenho medo de tudo o que pode ser
Tenho clareza de que já não é mais
Vou ficar aqui nesse vazio
Brincando de ser o que nunca fui?

Não!

Senta aqui
Fica junto
Me aquece
Me faz companhia

Não sou nada, não tenho nada
Mas na simplicidade do meu nada
Posso oferecer tudo
Só me dê uma chance

Vem comigo
Não quero mais ficar sozinho.


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segunda-feira, 1 de junho de 2009

E tudo é isto, tudo é isto !







É brando o dia, brando o vento



É brando o sol e brando o céu.



Assim fosse meu pensamento !



Assim fosse eu, assim fosse eu !


Mas entre mim e as brandas glórias



Deste céu limpo e este ar sem mim



Intervêm sonhos e memórias...



Ser eu assim ser eu assim !



Ah, o mundo é quanto nós trazemos.



Existe tudo porque existo.



Há porque vemos.



E tudo é isto, tudo é isto !



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Fernando Pessoa




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segunda-feira, 2 de março de 2009

Desejos*




Desejo primeiro que você ame, e que amando, também seja amado. E que se não for, seja breve em esquecer. E que esquecendo, não guarde mágoa. Desejo, pois, que não seja assim, mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos, que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis, e que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar, porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos. Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes, você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil, mas não insubstituível.
E que nos maus momentos, quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante, não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância, você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem, não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer.
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste, não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra , com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato, alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal.
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja e acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você viva um amor, eterno ou não, mas que seja vivido do início ao fim[!?!].
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes... estando juntos ou não, pois o amor é mais do que união.
E quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer, não tenho mais nada a te desejar.



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Desejos - Autor: Sergio Jockymann - *com adaptações e alterações minhas.
- A poesia original, de autoria de Sérgio Jockymann [POA-RS], publicada em 1980 no Jornal Folha da Tarde, de Porto Alegre-RS, circula na internet como sendo de autoria do escritor francês Victor Hugo.
- Roberto Frejat se inspirou nesse poema para escrever a canção "Amor pra Recomeçar".





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