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quinta-feira, 11 de março de 2010

Jornada Difícil


Eu sempre tive em mente que meu corpo não me daria tanto trabalho, uma vez que pequenas febres, gripes, viroses ou crises de enxaqueca sempre foram tratadas em casa com a medicação correta e sem maiories estresses. 



Não foi bem assim.

Precisei da rede pública para uma consulta e posterior exame, uma vez que os casos de dengue aqui no Estado do Acre estão altíssimos - e as autoridades locais estão fazendo igual ao Lula, quando a crise chegou ao Brasil: 'é só uma marolinha'. Por mais que cuidemos do nosso ambiente, se o vizinho ao lado não cuidar, o risco continua igual. Embora todos saibamos disso, há sempre os displicentes de plantão que acabam prejudicando os demais. 

Voltando ao posto de saúde, o brasileiro aqui chegou lá por volta das 13 horas, pois já havia tentado uma consulta nas famosas - e exaustivamente divulgadas nas mídias locais pelo Governo do Estado do Acre - UPA's (Unidades de Péssimo Pronto Atendimento), e pela primeira impressão que tive na recepção lá, vi que ou eu saía dalí ou ia ter barraco, tumulto e confusão, pois não consigo ficar calado quando sou mal atendido, mal informado ou ignorado. 




Procurei outro posto de saúde e lá fui bem recebido pelas recepcionistas, pela triagem e no pré-exame. Só que nem tudo são flores. O brasileiro aqui com febre de 38.7º, dores fortíssimas no corpo, como se tivesse acabado de levar uma surra no tronco pelo capataz do senhor feudal e, pra completar, uma dor de cabeça que beixava a enxaqueca. É, pessoas... nosso corpo é uma máquina de perfeito funcionamento, porém frágil como uma pétala de rosa se há algo errado.


As horas passavam devagar e me dava um certo desespero. Quando ficamos debilitados, bate uma carência de colo-de-mãe que só quem está na situação que sabe do que estou falando. Mas o brasileiro aqui já é adulto e tem que resolver tudo sozinho, inclusive aguentar as dores calado enquanto as horas passavam. A fila de atendimento era gigantesca e só tinham 3 médicos para atender o aglomerado de pessoas no saguão do posto - as vezes  o número reduzia para 2 médicos, o que demorava mais ainda. A organização do posto de saúde era, digamos,  precária, uma vez que só priorizavam as crianças e idosos, sendo que  as consultas poderiam ser programadas de forma que todos fossem atendidos, revezando o atendimento das 3 categorias - crianças, aldutos e idosos. Mas não... uma enxurrada de crianças na fila e, claro, atendidas primeiro. 4 horas depois consegui ser chamado para a ante-sala - onde havia uma pequena fila de 10 pessoas para serem atendidas por ordem de chegada/chamada. Ao meu lado, uma senhora idosa [foto abaixo]  com a mão nos olhos, quieta e muito abatida. Perguntei se precisava de ajuda e ela disse que estava com tanta dor que preferia permanecer de olhos fechados. Nessa hora eu tentei amenizar o sofrimento tentando distraí-la e conversei amenidades - embora eu também estava em situação similar. Essa senhora morava sozinha numa chácara há 65 km fora da cidade e estava no posto de saúde desde as 10 horas da manhã. Daí eu não aguentei e falei para as pessoas que esperavam atendimento na ante-sala que dessem a vez para a ela, pois a mesma precisava voltar para a sua casa no mesmo dia, uma vez que a distância era grande para uma senhora idosa e sozinha. Gente, depois disso resolvido, ainda tive sangue frio pra encarar a minha consulta.



Entrando no consultório, uma - penso eu - médica chamada Janine me atendeu. Nem 'boa tarde' ela disse. Fui falando o que sentia e ela anotando no prontuário. Depois de pouco mais de 10 minutos, ela sequer me examinou e logo receitou um medicamento e não solicitou exame laboratorial, ¬¬ , justificando que seria feito dois dias depois. Se eu soubesse que essa espera toda de mais de 4 horas - com fortes dores - para ser mal atendido e em 10 minutos, não ser examinado e receber uma receita de dipirona intra-venosa e posteriormente via oral, eu nem teria saído de casa.


[[Na real, muitos desses profissionais não têm amor à profissão]]


Depois da medicação na veia - dói - fui solicitar o mesmo medicamento para tomar em casa. Chegando na recepção para ir embora - quase 5 horas depois - falei para as  mesmas recepcionistas que me atenderam quando cheguei lá: "Penso que um sorriso, um 'boa tarde' não faz mal a ninguém, ainda mais para uma pessoa que precisa de atendimento médico por não estar se sentindo bem. Eu não tenho culpa se a 'medicazinha' estava cansada. Eu enfrentei 4 horas de espera com febre e muitas dores e ainda assim não fui bem tratado, ou seja, fui mal atendido por ela. O que compensou a espera foi o bom atendimento e a paciência de vocês, pois dessa médica, quero distância", pronto, falei!

É tocante quando assistimos aos noticiários locais e nacionais o descaso com a saúde pública, o precário atendimento e a falta de profissionalismo de grande parte dos médicos pedantes que, por usarem um jaleco e terem uma renda salarial um pouco acima da grande maioria, se acham superiores. E foi passando por essa experiência que vejo o quanto somos frágeis, indefesos e mal cuidados pelo setor público e pelas próprias pessoas que são pagas com os nossos altos impostos para nos servirem profissionalmente e de forma adequada, quando necessário, até porque ninguém pede para ficar doente.

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segunda-feira, 8 de março de 2010

Tô voltando.




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Pode ir armando o coreto
E preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando
 

Dá uma geral, faz um bom defumador
Enche a casa de flor
Que eu tô voltando

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