... | translate | to | your | language | ...

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Desencontros da Tecnologia



Antes de virarmos reféns da tecnologia, o tempo parecia passar mais devagar. Não havia a necessidade estarmos 100% reféns de celulares - sou réu confesso, mas me policiando um pouco a cada dia - e também tem aquele que quer estar em todas as baladas para "ser o tal" (já me livrei disso, ufa!) - muitas vezes se embriagando além da conta, ou mesmo se trancar em casa pra fazer maratona do "seriado preferido"  - as vezes eu faço maratonas sozinho, tá! 

Em outros tempos, tínhamos uma certa praticidade, era apenas combinar de se encontrar, jogar conversar fora, celebrando a vida e o prazer de estar junto, ou seja, de cultivar a amizade pessoalmente. Claro, também as vezes nas baladas, pois valia a pena dançar como se não houvesse amanhã, mas sem a necessidade de exibicionismo de falsas ostentações.

Penso que eu talvez seja um pouco saudosista, mas reconheço alguns bons benefícios da vida tecnológica e virtual - são inúmeros. Contudo, nada vai nos dar mais prazer do que uma interação olho no olho e o som da voz soando naturalmente, não vinda de alto-falante ou videochamada.

Desculpe, sou das antigas.

.

.

.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Mundo é de todos e não é de ninguém





Com o avanço da tecnologia, as redes sociais vieram pra ficar e não vão parar de surgir quem queira aparecer de qualquer jeito. E não testou falando de exibicionismo corporal, pois isso já existe desde que inventaram as revistas de moda. Falo do exibicionismo de opinião.

Sim, o grande mal do século é o uso excessivo das palavras, que é inversamente proporcional à falta de leitura de conteúdo, da procura pela informação coesa, correta e, sem esquecer, a perda do respeito pelo próximo.

É notório o escracho verborrágico das pessoas em detrimento da ridicularização, da “zoeira sem limites” que beira a insanidade. Entenda que nem sempre o outro lado está a par, ou se está, as vezes não é por vontade própria.

Voltando ao assunto, criticar antes de entender a situação de fato se tornou tão banal, que quando há um esclarecimento do ocorrido, já não importa mais, uma vez que ninguém quer saber mais, já virou notícia velha.

É isso que acontece hoje em dia: tudo tão efêmero, que a ânsia pelo novo parece mais uma competição num campo de guerra, ao invés de observar, analisar, procurar entender o ensejo como um todo e, aí sim, tirar suas conclusões e opiniões.

Ninguém quer saber o que realmente aconteceu. Hoje, quase todos querem ser editores-chefes das redes sociais, sem o menor pudor, pois estão protegidos atrás da tela, usando de um senso crítico pejorativo e sagaz, enchendo o peito de orgulho, como se isso fosse uma qualidade ímpar. E ai de quem se opor!

Essa nova geração, salvo poucos que preferem não se encaixar nesse nicho de massa que teima em não crescer intelectualmente/culturalmente, vai se degradar a tal ponto que não se pode nem prever como isso pode impactar em nosso dia-a-dia.

Só nos resta... ter esperança?

.

.

.

sábado, 16 de julho de 2016

A imposição do medo






Sempre vejo, em várias situações do nosso cotidiano, mães, irmãos mais velhos, avós ou até amiguinhos mais espertos (?) usarem uma chantagem que – hoje – eu não vejo a menor graça, principalmente pela função que ela se propõe às crianças.

Vamos aos exemplos:

“Eu tô indo embora, se você não vier, vai ficar sozinho aí!”
“Sai daí, senão o bicho vai te pegar!”
“Fica aí pra você ver só o que acontece!”

Já ouvi e já presenciei tanto isso que hoje eu percebo o quanto esse comportamento pode afetar o intelecto e até a personalidade de uma criança. A imposição pelo medo – do perigo de ser atacado por alguém/algo ou de ser abandonado – não é legal. Pode parecer bobo, mas não é.

Não tô aqui querendo falar de pesquisa científica ou citar trechos psicopedagógicos. Apenas vim trazer esse assunto para ser pensado. Será que não é bom ficar/estar sozinho? Por que não? E se o bicho que aparecer for dócil e amigável? Por que não esperar pra ver realmente o que acontece?

Claro, há situações e situações. Mas no geral, pessoas, essas 'frases' são usadas como uma forma de burlar o que deveria ser dito de verdade, com seriedade, atenção e tratando a criança como um ser que, mesmo sem a maturidade devida, possa raciocinar sim, por mais que o universo dela seja fantasioso.

Não, eu não tenho filho e ainda não faz parte dos meus planos. Mas sinceramente, se eu tivesse, iria me policiar muito para não cair nos erros grotescos de uma criação baseada no medo, na chantagem e na cobrança exagerada.

Aquela máxima do “não faça com os outros o que você não gostaria que fizessem com você” é sempre bom ser relembrada. As vezes alguns traumas vêm da infância e nem sempre são corretamente tratados e/ou resolvidos. Reflitam.

Bom, era o que eu tinha pra dizer.

.

.

.
 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O Hobbit e suas sensações




Quem me conhece sabe que sou fã das obras do escritor John Ronald Reuel Tolkien e que a trilogia O Senhor dos Anéis é um dos meus filmes favoritos, sem esquecer do livro. Deixando a demagogia de lado, é sim uma história mítica, mágica e envolvente, com riqueza de detalhes que o diretor soube (e as vezes até exagerou um pouco) retratar da forma como Tolkien descrevia nos livros. Sim, o escritor detalhava até os jardins de Isengard em um dos capítulos do livro. Mas o que vem ao caso é a história em si.

Como já perdi as contas das leituras e das vezes que assistiu a trilogia O Senhor dos Anéis e mesmo os 2 primeiros filmes de O Hobbit, pra quem é fã, é sempre uma visão diferente a cada leitura ou visualização. As observações críticas vão ficando mais suaves e mesmo quando me deparei em algumas falhas, elas são irrelevantes, e muitas delas foram explicadas nos dvds de extras da trilogia passada.

A sensação que tive ao ver os créditos subindo e ouvindo a música The Last Goodbye (interpretada pelo ator Billy Boyd, o "Pippin") no filme “O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos” fiquei por alguns minutos refletindo sobre tudo: filme, história, mensagens, lições, erros, acertos, enfim... É como se eu tivesse me despedindo de algo que de certa forma foi meu. Sim, meu como fã. Quem é fã se acha um pouco “dono” da história, pois viveu de perto como leitor/expectador toda a aventura, torcendo, rindo, com raiva... e principalmente se emocionando. Sim, são histórias de lutas, de superações, mas com cargas dramáticas bem elaboradas tão bem nos livros, que Peter Jackson soube fazer nossos olhos marejarem várias vezes em seus filmes.

Tecnicamente falando, a produção se esmerou tanto em deixar essa trilogia atual o mais perfeito possível (HD, 3D, etc) que em certas horas parecia mais um vídeo game de última geração do que um filme épico (principalmente a segunda parte:  O Hobbit – A Desolação de Smaug). As batalhas no terceiro filme são envolventes, com algumas pausas que nos fazem respirar e as vezes até perder a respiração. Porém em boa parte achei mais do mesmo – sem grandes surpresas, mesmo já sabendo da história. E olha que nos livros “O Hobbit” e “ O Senhor dos Anéis” elas são contadas com riqueza de detalhes. O diretor cometeu algumas falhas durante a sequência (não vou falar quais - adivinhem vocês), mas que no geral conseguem passar quase que despercebidas. Quase.

Não vim aqui defender com unhas e dentes os livros e os filmes. Vim aqui dizer que, se você gosta de histórias que falam de compromisso, amizade, lealdade, amor, compaixão e também de inveja, ganância e outros males, assista as trilogias com um olhar mais apurado, vivendo a fantasia, mas observando as mensagens que Tolkien deixava subentendidas.

Terra Média, pra mim, é um mundo paralelo que existiu sim. Tolkien trouxe pra nós em forma de palavras e Peter Jackson as transformou em imagens. Vale ler cada página e assistir cada minuto dessa história.

"Eu não direi não chorem, porque afinal nem todas as lágrimas são ruins."
 — Gandalf (O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei)

 

.
.
.