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domingo, 15 de julho de 2018

Nico (ato 1)




Nicolau, ou Nico como todos chamavam, tinha cinco anos quando percebeu que a vida poderia ter mais significados do que brincar. Ele viu que a vida era uma festa. Sempre que podia, mesmo ainda jovem, participava das celebrações familiares frequentes e com muita alegria ele se divertia ao modo dele. Com o passar do tempo, isso virou rotina, pois se sentia muito à vontade, já que essas festas eram quase sempre realizadas na casa de seus pais. O público era composto quase sempre por familiares, embora que alguns amigos agregados pareciam mais próximos que muitos parentes. Isso pra ele não tinha problema, sempre se relacionou bem com todos, mesmo ainda muito jovem. Talvez pela tenra idade, ele não se lembra dos preparativos, muito menos do início das festividades, mas em sua memória sempre estavam os sorridos e gargalhadas animadas dos presentes. E o fato de ser muito jovem, nunca permaneceu até o final da festa, uma vez que uma madrugada pra ele era longa demais e ele caia no sono quando a exaustão chegava em seu corpo por ter aproveitado o melhor da festa brincando, comendo e, claro, dançando.

O tempo era algo que passava devagar para Nico, seja em casa brincando, seja nas festas se divertindo. Era algo mágico, que o levava para outro plano, onde não existiam broncas, castigos ou expressões fechadas por algum ato não autorizado feito por ele. Havia uma liberdade em que só se permitia sorrir.

Continua...


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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Conexão perdida



Num mundo onde a pressa é a desculpa para tudo, estamos deixando de observar o realmente importa: a convivência pelo simples afeto.

Nesse mundo conectado, estamos esquecendo de sermos nós mesmo, de termos nossos amigos de verdade, de termos compromisso com o que importa. Sim, estou falando de afeto. Não aquele afeto de comercial de margarina, mas o afeto descompromissado, onde existe aquela química que não se explica entre duas ou mais pessoas que querem simplesmente compartilhar momentos juntas, sejam eles quais forem.

Pessoas estão se isolando por conta de estarem cansadas - sim, cansadas - de tentar fazer com que as relações interpessoais sejam mais leves e menos virtuais. Parece que ninguém se dá conta que viramos escravos de um aparelho de bolso que deveria sim ser nosso aliado, não deixando para segunda, terceira ou quarta opção o mais importante: conviver.

É notório ver tanta gente se sentindo só, mas pra não dar o braço a torcer, ou mesmo ser tachada por achar que elas estão se vitimizando. Ledo engano. Alguns o fazem por imaturidade, mas a maioria se isola mesmo com uma forte máscara de pessoa do bem, pessoa legal, ou mesmo vestindo um uniforme de "introspectiva", mas que no fundo ela está sozinha porque não teve escolha. 

E nem venha dizer que isso é frescura. Você não sabe o que passa na cabeça de outra pessoa, nem do seu melhor amigo. Você tem ideia do que ele pensa, por referência e/ou convivência, mas no fundo não sabe realmente o que passa na mente dele. Então não venha pré-julgar quem você supostamente conhece com achismos de bula de Google.

As consequências disso são ruins, em sua maioria. Nem todo mundo sabe lidar com o fato de estar sozinho, ou se sentir sozinho, ou mesmo ser abandonado. E não vem ao caso dissertar sobre estar sozinho e solidão. Isso é outro assunto.

É, a tecnologia trouxe muita coisa boa, muito comodismo e muito conhecimento, embora que muitos deles sejam superficiais. E sem perceber, vamos alimentando cada vez mais essas relações líquidas por puro comodismo. Em suma, toda mudança tem dois lados que não convergem: ou aproximam ou repelem. Seria fácil escolher a primeira opção, mas na prática nem sempre é assim.

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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A mendicância nas redes sociais



A busca por atenção está extrapolando os limites do bom senso e chega à beira do ridículo.


Curioso que de uns tempos pra cá as pessoas estão mais sedentas por atenção nas mídias sociais como nunca. O que se ver são "publicações patrocinadas" de pessoas que não oferecem nada além de um "look do dia" ou de um "corpo de academia", padrãozinhos impostos por elas mesmas.

De fato, hoje as redes sociais viraram um verdadeiro comércio, onde se oferece quase de tudo. Aquela interação entre amigos, aquelas curtidas, compartilhadas e comentadas estão perdidas entre os digital influencers, lojas e pessoas que patrocinam suas fotinhas em busca de seguidores/likes para futuramente ganhar algo em troca, nem que seja apenas admiradores.

As relações interpessoais estão cada vez mais distantes do mundo real. Aquela conversa séria que você tinha frente a frente com seu amigo virou um áudio de 5 minutos. Aquele compromisso virou "ok". E pior, aquelas deliciosas declarações de amor ou amizade viraram coraçõezinhos ou memes. Daqui à pouco o sexo será apenas a masturbação via vídeo chamada, pois estarão com preguiça de sair de casa para se encontrar -
se bem que isso já acontece desde o finado MSN Messenger.

Sou, confesso, um usuário de mídias sociais, mas tento diariamente me policiar para não entrar nesse mundo e esquecer que um abraço real é uma das coisas mais gostosas de fazer/receber, um olhar atencioso para um amigo quando o mesmo está precisando de alguém para ouví-lo, e até umas risadas despretenciosas de tanto falar besteira como se não houvesse amanhã. Sim, eu gosto e prezo isso.

Caminhamos para um mundo cada vez mais individualista, depressivo e desequilibrado, onde a tela do 'espertofone', do laptop ou da tela que for vai ser a única forma de contato entre as pessoas - por conta também do excesso de violência urbana e outras mazelas que estão cada vez piores, fazendo muitos desistirem de sair de casa. Mas isso não justifica o isolamento, enfim.


Prefiro acreditar naquele clichê confortante que diz "a esperança é a última que morre", ou seja, vamos tentar fazer a nossa parte para que ela  - a esperança - não fique sozinha, depressiva e se suicide por conta do abandono.




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quarta-feira, 12 de abril de 2017

Desencontros da Tecnologia



Antes de virarmos reféns da tecnologia, o tempo parecia passar mais devagar. Não havia a necessidade estarmos 100% reféns de celulares - sou réu confesso, mas me policiando um pouco a cada dia - e também tem aquele que quer estar em todas as baladas para "ser o tal" (já me livrei disso, ufa!) - muitas vezes se embriagando além da conta, ou mesmo se trancar em casa pra fazer maratona do "seriado preferido"  - as vezes eu faço maratonas sozinho, tá! 

Em outros tempos, tínhamos uma certa praticidade, era apenas combinar de se encontrar, jogar conversar fora, celebrando a vida e o prazer de estar junto, ou seja, de cultivar a amizade pessoalmente. Claro, também as vezes nas baladas, pois valia a pena dançar como se não houvesse amanhã, mas sem a necessidade de exibicionismo de falsas ostentações.

Penso que eu talvez seja um pouco saudosista, mas reconheço alguns bons benefícios da vida tecnológica e virtual - são inúmeros. Contudo, nada vai nos dar mais prazer do que uma interação olho no olho e o som da voz soando naturalmente, não vinda de alto-falante ou videochamada.

Desculpe, sou das antigas.

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