"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial! Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão... Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos; Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante, vai ser diferente".
Penso que a grandiosidade do ser humano está em compartilhar. Não falo de coisas materiais, mas sim de vida, de momentos, de memórias, vivências, experiências.
A individualidade entra em conflito com esse momento globalizado que vivemos. Se formos entender o que o termo globalização de fato significa entramos numa completa frustração, pois o que mais importa para si é o ter, o que eu posso ganhar fazendo algo, aonde vou lucrar com isso. O mundo globalizado nada mais é do que business world.
Esquecemos de cumprimentar as pessoas por vontade, fazemos mais por obrigação mesmo. As pessoas saem para as baladas mais para se mostrar do que para interagir, se divertir. Os bares estão sendo utilizados apenas para 'caça' e bebedeira, não mais para confraternização entre pessoas que se querem bem.
Os relacionamentos estão ficando cada vez mais curtos, pois muitas vezes quando um anseia viver o presente pensando sempre na companhia, nas pequenas coisas que fazem a diferença, o outro tem planos maiores e acaba esquecendo-se de regar a planta que ele tanto admirou quando a conheceu e fazia questão de mostrá-la aos demais que ela era diferente, especial.
Acho que sempre foi assim, mas hoje quando paro para observar o comportamento das pessoas em geral, só se pensa em álcool, dinheiro e sexo. Tá, esses três itens são muito bons, concordo. Mas cadê a interação entre as pessoas? Onde estão as amizades sinceras, as conversas saudáveis?
Não é sobre tradicionalismo que quero que o mundo volte a ser, mas sinto falta de alguns princípios e valores que adquiri com minha criação em relação ao respeito com as pessoas que me cercam, bem como cultivar bons amigos, uma vez que eles são minha segunda família, a que eu escolhi partilhar minha vida.
A preocupação com a vida alheia hoje é banal. Ninguém se importa com a essência da pessoa. Ninguém valoriza o que ela pode fazer de bom, sempre procurando algum defeito para detonarem na primeira oportunidade.
Fala sério, gente! Ninguém é perfeito ao ponto de ser 'certinho' 24 horas!
Só sei de uma coisa. Vou tentar fazer minha parte até aonde eu achar que me faz bem. Isso serve para tudo na minha vida, seja no trabalho, nos amigos, no relacionamento e na família. Viver exclusivamente em função dos outros eu não vou e não quero mesmo.
Como qualquer pessoa esclarecida de suas ideias, eu quero pra mim o melhor que posso oferecer aos que amo e respeito.
De tarde quero descansar
Chegar até a praia e ver
Se o vento ainda esta forte
E vai ser bom subir nas pedras
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...
Agora está tão longe
Ver a linha do horizonte me distrai
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhávamos juntos
Na mesma direção
Aonde está você agora
Alem de aqui dentro de mim...
Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você esta comigo
O tempo todo
E quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem...
Já que você não está aqui
O que posso fazer
É cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos,
Lembra que o plano
Era ficarmos bem...
Olha só o que eu achei
Cavalos-marinhos...
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...
Precisamos tanto das pessoas que esquecemos que elas podem ter um significado em nossas vidas. As vezes me pergunto: para quê existem tantas redes sociais, se a interação de fato mal existe?
Para ser "o cara" nesse meio você precisa ser irônico, irreverente, falar mal de alguém ou fazer algo que desperte a atenção das pessoas, no caso, os seguidores, os adicionados. E por que não interagir com pessoas 'normais', sem grandes acontecimentos ou histórias mirabolantes?
É... só que o novo sempre desperta curiosidade. As vezes é uma foto legal (quase sempre photoshopada) ou ela pertence a um nicho que você admira ou tem vontade de entrar/participar. Mas muitos perdem o encanto ou enjoam da 'novidade' depois que entram/participam dela.
Aí é que tá! A insatisfação é inerente ao ser humano. Ele sempre quer mais, algo que o preencha, satisfaça, motive. Poucos são preguiçosos e se acomodam com qualquer coisa, mas a maioria quer sempre mais, principalmente essa Geração Y que vive ligada no 220v.
Tá, eu sei, muita gente usa essas redes sociais apenas para business... mas aqui a conversa é outra: interação pessoal mesmo.
Às vezes me questiono se a pessoa que participa da minha rede social - seja ela qual for - está lá apenas para visualizar minhas fotos, agenda ou só bisbilhotar mesmo. Sempre no começo da interação tem aquela vontade de conversar, de saber o que faço, deixo de fazer, planos, etc. Vêm os elogios, as críticas, sugestões, blá blá blá. E quando termina de 'sugar' tudo o que quer, desaparece feito gafanhoto em busca de outras fontes para se saciar.
PS: É, já me senti como uma folha sendo devorada por gafanhotos... depois ter que me recompor aos poucos e ainda me segurar no galho para não ser arrancado pelo vento.
Já ouviram falar na palavra manutenção? Pois é. Seja o que for que você tenha - goste - e ao mesmo tempo quer que seja duradouro, vai precisar fazer - sempre - uma manutenção para que continue sendo útil e lhe fazendo bem. No caso aqui, são interações entre pessoas. Manter uma política de boa vizinhança é bom, válido, mas manter uma relação real de contato é muito melhor do que só ficar no "oi".